segunda-feira, 8 de junho de 2009

A EDUCAÇÃO E OS PARADIGMA DAS MÍDIAS EDUCATIVAS

A integração do vídeo no ensino gera um dilema semelhante. Ou é aceita a nova tecnologia com toda a sua capacidade inovadora, assumindo então a transformação de todo o sistema educativo, ou se subjuga à nova tecnologia, tirando dela suas vantagens inovadoras e a colocando a serviço da velha pedagogia.

A tecnologia do vídeo é multifuncional: pode-se utilizá-la para reforçar a pedagogia tradicional, mantendo uma escola centrada exclusivamente na transmissão de conhecimento; entretanto, também pode utilizá-la para transformar a comunicação pedagógica. Assumir toda a sua potencialidade expressiva significa assumir este desafio de transformação da infra-estrutura escolar. São cada vez mais numerosos os profissionais do ensino que assumiram este caminho. A época do audiovisual como auxiliar está acabando. Começa a era da comunicação audiovisual e eletrônica, e se trata de um processo complexo que abrange a pedagogia, a psicologia e a sociologia, que, por sua vez, engloba o racional e o imaginário e formula problemas teóricos, abstratos, como também problemas de material, técnica e de infra-estrutura.

Tendo em vista os meios de comunicação aliados à prática educativa, pretende-se realizar uma pesquisa de campo, com o objetivo de compreender como o vídeo está sendo utilizado, nas áreas do conhecimento (português, matemática, ciências e outras) de 1a a 4a série, pois muitos anos já se passaram desde que a tecnologia do vídeo foi introduzida no âmbito doméstico. Embora a instituição escolar não tenha levado muito tempo para incorporar a nova tecnologia, não se pode dizer que esta incorporação tenha contribuído de maneira substancial a otimização de ensino-aprendizagem. Em algumas escolas a integração ainda não teve início. Em outras, ocorreu uma relativa integração, embora deficiente ou, quando muito, parcial. A expressão é de McLuhan (1969 p.120): a criança de hoje cresce sem parâmetros convencionais, porque vive em dois mundos, e nenhum dos dois a ajuda crescer. Freinert (1974, p.77) esclarece a respeito deste aspecto, conseqüência de uma contradição cultural:

Esta desordem cultural persistirá enquanto a escola pretender educar as crianças com instrumentos e sistemas que tiveram validade há 50 anos, porém suplantados pela técnica contemporânea. Subsistirão na escola as lições, os braços cruzados, as memorizações, os exercícios mortos, enquanto fora da escola haverá uma avalanche de imagens, ilustrações e de cinema. Se nossa era é conflitiva e inclusive dramática, é devido a seu caráter de cruzamento histórico, de choque cultural. A interação de culturas em conflito provoca indecisão e angústia.

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